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Marketing as avessas Tornou-se insuportável o número de ligações diárias direcionadas ao meu celular e o meu telefone fixo, todas oferecendo produtos, falando de ofertas, e, de forma dissimulada, aplicando pretensas pesquisas que, quase sempre, se encerram com uma oferta “especial”. Cheguei ao limite da minha paciência com um grande banco e uma grande editora, que insistem em me oferecer os seus serviços e cancelei minhas relações comerciais com ambos. É uma pena, pois tratam-se de empresas respeitáveis que oferecem excelentes produtos mas, de forma equivocada, não souberam estabelecer seus limites de importunice, afastando bons clientes como eu. Já não posso mais sestear ao meio-dia o telefone não deixa. No final da tarde quando sento para tomar um chimarrão a mesma coisa, o celular toca duas ou três vezes, o relaxamento não é mais possível, virou sonho de consumo. Já utilizei todas as desculpas possíveis: vivo viajando, não moro mais na minha residencia, já morri, não sou mais dono do número discado, já estou no SPC e por aí vai. Mas, não adianta. A cada ligação sinto que do outro lado a um novo interlocutor que nunca falou comigo antes, que não sabe que já estou morto, que não moro na minha residência, que estou no SPC e então, minha ladainha tem de começar do zero. Que falta de simancou destas organizações que estão trabalhando contra o próprio patrimônio ao importunar em demasia seus já cativos clientes. Agora, como se não bastassem os bancos e as editoras, as próprias teles estão me enviando torpedos diários enchendo a memória SMS. Que estupidez! Que invasão desmedida. Será que esse pessoal não entende que são as necessidades e, em alguns casos, o desejo, que nos leva a optar por um produto específico? Que como consumidores gostamos de passear nos shoppings e fazer nossas próprias escolhas? Entretanto, não podemos ignorar que o telemarketing emprega muita gente e é o meio de subsistência de diversas famílias, mas, se esta atividade não for comedida, não tiver bom senso, não se pautar pela racionalidade e atentar para o limite da paciência do cliente, gerará desemprego muito em breve, do jeito que vai, cairá em desgraça e trará mais prejuízos do que lucro às empresa que dele se utilizam. Gol contra, marketing as avessas. Por favor não me liguem mais, deixem-se sestear em paz. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo contato: autor@sucatinhas.com.br
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 11h26
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A crise do Senado é minha 
Ao contrário do que pensa o excelentíssimo ex-presidente da República, José Sarney, que diz que a crise do Senado não é dele – e ele é o presidente da casa – afirmo que a crise do Senado é minha. Num regime de democracia representativa onde as casas que compõem o nosso legislativo, seja em que âmbito for, abrigam os porta-vozes da vontade da maioria - ao qual pertencemos todos nós que abrimos mão da nossa vontade individual – volto a afirmar: sou responsável pelo Senado Federal e sua crise me pertence. Se está instituição está povoada por gente inapta para desempenhar seu papel, a crise, igualmente, ainda me pertence. Como cidadão e eleitor, fui eu quem os colocou lá. Como contribuinte sou eu que os sustento e, se roubam, roubam de mim. Se não são punidos, foi porque lhes concedi privilégios e disso não posso reclamar. Sabe como me chamo? Me chamo POVO e estou alheio a minha própria vontade. A crise de uma instituição democrática não pertence exclusivamente aos parlamentares que a compõem e, neste ponto, somente nele, o Sarney tem razão. Punir os maus parlamentares não deve mesmo ser atribuição exclusiva do presidente da casa ou de seus iguais na comissão de ética. Qualquer punição advinda destes segmentos seria paliativa e, geralmente, não ocorre. É de responsabilidade do povo a verdadeira punição. E ela deve ocorrer nas urnas, nas prévias, nos plebiscitos ou por intermédio de outros instrumentos democráticos. Mas, se estão se lixando para nós e não temem as respostas das urnas, então temos um problema e precisamos urgentemente lutar por uma reforma mais abrangente. Lutar por mudanças que façam a vontade da maioria prevalecer sobre os interesses individuais, e, especialmente, não permitir a facilidade aos eleitos de darem de ombros e alegarem que os problemas e as crises nas instituições políticas não lhes pertencem. Políticos esquecem coisas básicas, como por exemplo: que são eles também eleitores, que as instituições que lhes abrigam também lhes pertencem, que são povo como o povo e que suas criações, ou seja, suas leis também lhes afetarão. Que a casa que lhes abriga deve ser limpa e arejada e que debaixo do tapete – ou seria atos secretos? - deve existir apenas o alicerce fortalecido por ações que possam lhes orgulhar. Mas, infelizmente, falta-lhes o próprio orgulho de assumir o que lhes pertence. Por isso, repito, a crise do Senado Federal é minha. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo contato: autor@sucatinhas.com.br
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 16h26
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As proporções da natureza A julgar pelos últimos concursos de beleza, especialmente os de Miss, chegará o dia em que se estará escolhendo não a mais bela e sim o melhor cirurgião plástico. Selecionar as beldades formatadas por bisturis é um forte indício de que os concursos de beleza estão em decadência e tendem ao fracasso total num futuro breve, justamente por abir mão de seu objetivo básico: destacar a beleza da obra da natureza – ou da formidável genética como preferem alguns - expressada num corpo de mulher. Um narizinho aqui, um silicone ali, um culote acolá e pronto! Lá se vai a originalidade e as proporções impressas pela natureza e, com isso, a noção do belo. Todos temos um feitio, um detalhe que nos caracterizam diante de nós mesmos em frente ao espelho e nos diferenciam dos demais. Mexer neste detalhe pode nos tornar estranhos a nós mesmos. Este é o fator psicológico mais forte. Se sentir estranho diante do espelho e sentir falta de quem se era antes da cirurgia plástica, deve ser um vazio terrível. Olhar e não se reconhecer. Ver e não acreditar. Eis, a crise psicológica essencial. Por acaso o Everest seria o mesmo se dele se retirasse a imponência de seu pico? Gérard Depardieu, seria o mesmo se lhe retirassem metade do nariz? As características essenciais se concentram nos detalhes, justamente a parte que os bisturis procuram alterar. Retirar o destaque e tornar o belo padrão, nesse sentido, é um equivoco. Bisturis serão sempre bem-vindos mas, para corrigir, consertar deformidades, aberrações, restaurar sequelas de acidentes, e até mesmo para repor a auto-estima perdida com a idade. Entretanto, formatar um novo rosto, criar por artifício o belo, descaracterizar personalidades, são ações que podem ter um preço alto aos incautos, pode ser o “castigo” sem volta para os imprudentes. Costuma-se ouvir frequentemente que o conjunto da obra se sobrepõem a uma obra específica, que o todo é muito mais que a junção das partes, e experiências já comprovaram, que: juntar as partes mais belas num todo, nem sempre se tem um resultado harmônico. O belo, ou a bela, não pode ser o padrão, tem, necessariamente, de ser o destaque, e nisso a vontade da natureza é mais sábia que a vontade humana. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo. Contato: autor@sucatinha.com.br POA – RS.
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 11h49
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Especialistas não são videntes A inquirição, a curiosidade, a inquietude, geralmente, estão na origem das principais descobertas humanas. Uma pergunta bem formulada pode levar à hipóteses extraordinárias. Já a especulação torna-se enfadonha quando busca antecipar os fatos cujas respostas dependem do tempo certo ou de uma ação mais aprofundada, ou seja, querer respostas concretas antes de uma pesquisa metódica e consistente, é optar pelo sensacionalismo. Está acontecendo exatamente isso na mídia com o caso do desaparecimento da aeronave da Air France no Atlântico. As hipóteses colocadas no ar pelas TVs, jornais, sites de noticias, para explicar mais uma catástrofe aérea, são de todos os gêneros e algumas delas, bizarras. Especialistas de todas as áreas já foram ouvidos. Meteorologistas, comandantes aposentados, de folga, autoridades em geral, engenheiros da aviação, todo tipo de gente, já foi convocada para dar entrevistas e injetar na mídia suas hipóteses e explicações para o desaparecimento do A330. Querer buscar as causas de uma catástrofe será sempre muito importante e, até mesmo vital, para se evitar que o evento venha a se repetir no futuro. Entretanto, pôr um especialista no paredão tentando extrair dele uma informação, uma resposta, que por certo ele não possui no momento, não passa de um exercício de adivinhação. Isso não é notícia, é exploração comercial da desgraça alheia. A sensação que fica é a de que todos estão preocupados com a aeronave e não com os impactos que uma tragédia desta proporção pode trazer aos familiares das vítimas, a um país, a uma organização. É a ausência destas pessoas que abrem as lacunas na sociedade, em função do que eram, do que faziam e de seus objetivos de vidas. Esses são os verdadeiros impactos para todos aqueles que direta ou indiretamente foram afetados pelas pessoas desaparecidas. Entretanto, não é auspicioso, nem recomendável, explorar estes momentos de dor, numa situação onde os fatos ainda não foram esclarecidos e a esperança persiste – é a última que morre – para todos aqueles que acreditam que tudo não passa de um grande pesadelo. A realidade é dura, é uma rocha, nestes momentos de apreensão, e nenhuma explicação especulativa poderá amenizá-la, só os fatos, a notícia poderá enterrar de vez todas as especulações e com elas as esperanças daqueles que precisarão seguir adiante administrando suas enormes perdas afetivas. Enquanto isso, deixemos os especialistas em paz, eles não são videntes. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo. Contato: autor@sucatinhas.com.br Poa - RS
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 11h40
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Politicagem, um mal social
É significativo entender as forças que movem o mundo. E elas são, basicamente, de dois tipos: a vontade humana e a vontade da natureza. Deixemos esta segunda de lado e vamos nos ater a primeira, a força do homem. O homem, este animal político, segundo Aristóteles, pode ser movido por forças intrínsecas ou extrínsecas, ou seja, por uma vontade interior ou por uma necessidade do meio em que ele vive. Obviamente, o homem tem preferência por agir conforme sua vontade interior e, por isso mesmo, menospreza, na maioria das vezes, as necessidades do meio. Este é o ponto chave do regime democrático representativo, onde, elege-se alguns poucos para defender o interesse da maioria. Esta criado assim o dilema interior do político. Esquecer ou, por de lado, o interesse da maioria em detrimento aos interesses pessoais, é o erro grave, mas, muito comum na política. Assim, se lixar para opinião pública é prova cabal de que o político não entendeu o seu papel primordial como voz de um segmento da sociedade a que representa. Atualmente o político brasileiro, por exemplo, faz quase nada de política – que na democracia significa representar o interesse do povo - mas, faz muito de politiquice, que significa priorizar o interesse daqueles que lhe rodeiam, ou, pior ainda, defender os interesses exclusivos daqueles que lhes financiaram a campanha. São raros os parlamentares que não são politiqueiros, que fogem de uma política ordinária e mesquinha. A maioria deles, seja no alto ou no baixo clero, na Câmara ou no Senado Federal, buscam pelo sucesso, pela fama, e, acima de tudo, correm atrás do saciamento de suas próprias tendências e inclinações narcisistas e de suas necessidades pessoais. O político brasileiro chega na casa que lhe abriga completamente comprometido – alguns endividados – e estabelecem como meta prioritária atender os interesses de seu credor. A campanha com recursos públicos seria uma forma de amenizar esta situação e já está em discussão no Congresso.
Mas, além disso, o político tem uma compulsão pelo reconhecimento público que se transforma na força propulsora maior capaz de lhe embotar as ideias e de faze-lo abolir o bom senso. Sem o bom senso as metas prioritárias deixam de ser a vontade da coletividade que representa. Como político modesto não entra em evidência é imperioso que ele acabe deixando de lato também a modéstia. Logo, não há como atender o interesse da maioria sem a posse do bom-senso e da modéstia. Assim, as necessidades extrínsecas fundem-se aos interesses internos imediatos e levam o barco da representatividade ao naufrágio e o político a corrupção. Pensar numa forma de fazer valer o interesse da coletividade passa, necessariamente, pela a conscientização do eleitor que não pode se deixar corromper pelas benesses oferecidas em campanha em troca do voto e pelo acompanhamento e controle dos resultados de cada um dos representantes, assim, fiscalizar as ações e a produção dos políticos deveria ser palavra de ordem para os eleitores. Nesse aspecto, a transparência é fundamental e será bem- vinda.
Sérgio Peixoto Mendes, filósofo contato: autor@sucatinhas.com.br
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 11h26
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Nós também roubamos
 A Câmara dos Comuns, equivalente, na Inglaterra, à Câmara dos Deputados aqui no Brasil, confirmou esta semana o que já vinhamos comentando a algum tempo em artigos anteriores: a política corrompe e independe do lugar. Seja lá, seja aqui, representar o interesse da coletividade não é a prioridade para homens de espírito fraco e ética titubeante. Basta uma pequena fenda, uma tropeço inicial, e os interesses individuais assumem o comando das ações. Os escândalos do parlamento inglês, que vieram à tona no noticiário esta semana, são muito parecidos com aqueles que nós brasileiros já estamos acostumados a ver por aqui. O uso indevido dos recursos públicos em prol do interesse pessoal, ou seja, o roubo do erário público, constitui, na essência, a bandalheira e a gatunagem que impulsionam as ações dos corruptos. O dinheiro enfeitiça políticos cambaleantes – e alguns não políticos também - e, aqui no Brasil, isso é assumido como uma praga tão forte que parece ser comum e normal não punir os parlamentares que se deixam envolver por ela. Coitados! Foram todos vítimas da tentação e do desejo pela vida fácil. Errar é humano, ser tentado e ceder também, é assim que pensam o rol de privilegiados que cedem, costumeiramente, à oferta das forças vaidade e do senso de oportunismo proporcionado por um cargo público. “Eu vou me adiantar enquanto posso” é a regra geral, seja na Inglaterra, seja no Brasil. “Vou aproveitar que os riscos são baixos e que a punição é branda”, pensam outros em outras partes do mundo. Os verbos são muito semelhantes: “aproveitar”, “adiantar”, “tirar vantagem” e são sempre conjugados conforme os interesses e oportunidades da ora. Alguns políticos só sabem pensar na “primeira pessoa”, não conseguem conjugar um verbo mais altruísta, não lhe passam pela mente o “nós”, o “eles”, e agora também uma variação menos singular do “to be”. Mas, existem diferenças básicas de lá para cá: o parlamentar inglês, na maioria das vezes, adota a prática de auto-punição quando é pego com a boca na botija. Costumeiramente, sabe que comprometeu para sempre o seu futuro político. No Brasil não, aqui o pressuposto básico é o da falta de memória dos eleitores, da possibilidade da reeleição infinita, basta para isso que, ali mais adiante, faça a partilha com meia-duzia de eleitores e cabos eleitorais igualmente corruptos, do fruto da sua apropriação indébita. Eleitor que se deixa corromper também rouba. Rouba da democracia as parcas oportunidades que ela tem de dar certo.
Sérgio Peixoto Mendes, filósofo. Contato: autor@sucatinhas.com.br POA - RS
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 11h17
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Um brado, CHEGA! O Príncipe Regente D. Pedro estava de “cabeça quente” quando, às margens do Ipiranga, bradou em alto e bom tom o seu “independência ou morte”. Foi um grito proferido diante de uma comitiva que se encarregou de registrá-lo para sempre na trajetória histórica da independência do Brasil. A emancipação política desse nosso país do reino de Portugal, ocorreu a partir de um clamor, ou seja, a partir da palavra inflada pela emoção e pela convicção. Sob o efeito de uma emoção forte, o homem costumeiramente se abraça com a verdade. As emoções não mentem, não enganam, são impactantes e desnudam aquilo que de mais íntimo o homem procura esconder com o raciocínio trabalhado pela mente, quase sempre, de maneira perversa e matreira. O homem acuado, geralmente, costuma, apelar para a verdade e diz coisas que mais tarde, no frescor da reflexão, não terá mais como recolher. Todos os políticos deveriam falar com emoção, não uma emoção forjada pelo treinamento na hábil arte de falar, e argumentar, mas, uma emoção natural, pura e verdadeira, pois, esse tipo de emoção, não pactua com a mentira. O rubor, para um observador atento, pode facilmente pôr em contradição aquilo que é dito com aquilo que realmente é. Por trás do rubor há uma emoção, um sentimento, que denuncia aquele que se manifesta. Mas, o rubor não funciona para “cara-de-paus”, por isso os políticos costumam enganar facilmente. Suas verdadeiras intenções, muito habilmente velada nos seus discursos são, geralmente, escusas. No discurso, o político disfarça os seus interesses privados e os converte em anseios públicos. Discursos são estratagemas, são engôdos, que o ingênuo compra à primeira vista. Mas, o mundo dá voltas, e é chegado o tempo em que não mais agiremos como ovelhas tocadas pelo pastor rumo ao desfiladeiro do arrependimento. Nas próximas eleições vamos dar as respostas certas, para àqueles que pensam que somos babacas estúpidos, que não temos memória, e que nos deixaremos facilmente enganar por discursos vazios de emoções verdadeiras. Um grito, um brado de emoção, CHEGA!, seja as margens de que rio for, poremos para correr boa parte dos falsos discursos, recheados de má intenção, mostrando o preço da opinião pública. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo. Contato: autor@sucatinhas.com.br
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 14h36
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Produção Científica e ENEM
Os números e os fatos, não deixam dúvidas: o Brasil é um país de contrastes. Segundo os dados publicados no National Science Indicators, o Brasil teve um crescimento de 56% na produção científica em 2008. O crescimento proporcionou ao país deixar para trás a Rússia e a Holanda, no quesito de produção e publicação de artigos científicos. Saímos dos 19.436 artigos em 2007 para 30.451, em 2008, sem dúvida um crescimento significativo. Entretanto, vejam as “pérolas” encontradas nas redações do ENEM, que é um exame nacional aplicado junto aos alunos do ensino médio, publicadas recentemente no noticiário. Elas expõem o paradoxo da produção do conhecimento no Brasil. O tema que os alunos deveriam dissertar na redação era sobre ecologia. A preocupação maior, relatada por um deles, para o desequilíbrio ecológico é, obviamente, o rompimento da “camada Diozoni”. Tem razão o rapaz, inclusive, um outro colega de prova, seu concorrente no exame, sustentou a tese, ao alegar que: “na época de Cristo não haviam as hindustrias para poluir” e, mesmo assim, “háviam problemas sociais entre os povos”. Então a culpa não é, definitivamente, das “hindustrias” o fato da “camada Diozoni” apresentar rompimento nos dias atuais e, principalmente, não é a industria responsável pelo reboliço social que se instalou sobre o assunto. Ao contrário, diz outro, o que deve ter prejudicado de fato o meio-ambiente foi mesmo “o desmatamento dos peixes na floresta Amazonas”, não se pode esquecer disso, lembrou outro aluno. E as pérolas, brotam como capim, na mente de alguns deles. “Nos dias de hoje a educação está muito precose” os bebês já nascem dentro das salas de aula, segundo este aluno, e seus professores, provavelmente, ainda são adolescentes. Mas, não tem problema, basta demonstrar que somos pessoas “semelhantes iguais” e que o fato, de bebês já nascerem em salas de aula, não implica dizer não vão conseguir atingir os seus “obstáculos”. De fato, atingir obstáculos é uma tarefa árdua e que, provavelmente, nos exigirá uma excelente pontaria. Mas, “a conscientização é um fato esperançoso para o território mundial”, por isso, é importante “deixarmos de sermos egoístas e pensar um pouco mais em nós”. Não tem outra solução, “uma vez que o serumano no mesmo tempo que constrói também destói, pois nois temos que nos unir para realizar parcerias”. Sem esta união, o que é de “interesse de todos nem sempre interessa a ninguém”. Tem razão, afinal, “hoje endia a natureza não é mais aquela”, desde que foi “discuberta pelos homens a 500 anos atrás”, muita coisa se modificou. É importante que as pessoas se conscientizem de que “não basta preservar apenas o meio ambiente, mas sim todo ele”. Está dado o recado, “o fenômeno Euninho” deve estar por trás de tudo, embaralhando as ideias de parte de nossa juventude. Tomara que este fenômeno não atinja a qualidade dos artigos científicos publicados e nos “faça agir de maneira inesperável”, aqui no “paiz enque vivemos” onde os “problemas cerrevelam”. Oh! Deus.
Sérgio Peixoto Mendes, filósofo. contato; autor@sucatinhas.com.br POA- RS
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 14h34
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Como encontrar o ponto de equilíbrio?
  
Na visão do poeta italiano Giacomo Leopardi (1789-1837) o tédio está reservado às almas nobres; a multidão pode, na melhor das hipóteses, sofrer de simples ociosidade. Mas, nos parece, que já vai longe o dia em que se tinha - mesmo fazendo parte da multidão - o privilégio de se sentir um pouco os efeitos calmante da ociosidade. Tédio então, nem pensar. A internet, a TV, e outros entretenimentos afastou de vez o tédio e as suas benéficas reflexões. Hoje é comum o seu oposto, ou seja, a ansiedade, a correria, a busca incessante dos bens materiais, do bem-estar, em suma, a luta frenética pela felicidade. A ociosidade virou perda de tempo, e tempo é dinheiro, logo a ociosidade é sinônimo de perda financeira. Ora, como ficar parado vendo a banda passar, enquanto o mundo, e o seu vizinho, gira louca e desenfreadamente em busca do poder aquisitivo? Talvez, a afirmação acima do poeta já não faça mesmo mais sentido, principalmente, se olharmos por um ângulo mais abrangente. O ângulo da competição. O mundo desandou para a necessidade insaciável de pertencer, de ter. O foco na felicidade, paradoxalmente, nos compele cada vez mais ao trabalho. É o trabalho que aplaca um pouco as nossas necessidades, mas, uma vez satisfeitos, geramos novas ocupações para fugirmos do tédio e, novamente, nos pomos em busca da saciedade. Assim, saciar constantemente as necessidades parece-nos ser a força motriz atual. Mas, isso cansa e tem seus efeitos maléficos. Não nos bastaria um pouco de alegria? Parece-nos que sim. Entretanto, pesquisas genéticas recentes ligadas ao comportamento humano, estão concluindo que o elemento responsável pelo transporte da serotonina – neurotransmissor associado a sensações de bem-estar, alegria e felicidade – está condicionado a maneira como cada um de nós processa as informações positivas e negativas. Assim, sermos mais ou menos felizes, vai depender de sermos mais ou menos otimistas e pessimistas, características que já devem estar na nossa bagagem genética. Então, como olhar para um mundo em plena crise econômica, sob a ameaça pandêmica da gripe suína e da febre amarela e, ainda assim, ser capaz de se manter otimista o suficiente para dar vazão a sensação de bem-estar e alegria? Tarefa difícil. Talvez seja por isso que só os ignorantes são felizes e os sábios não se cansam de repetir, que a piedade sem ação não resolve a dor alheia e, a auto-piedade é um buraco sem fundo.
Entretanto, direcionar o foco do nosso olhar para as coisas boas da vida, para as notícias positivas, é uma tarefa simples, basta para isso que sejamos seletivos nas nossas escolhas, que canalizemos nossos sentimentos, que sejamos criteriosos nas nossas leituras, nas nossas diversões, e, principalmente, que se aplique um reforço ao pensamento otimista que vez por outra nos habita à mente nos raros momentos de ociosidade. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo. Contato: autor@sucatinhas.com.br POA - RS
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 16h37
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A palavra que entrega
É muito comum, num momento de reflexão mais fina e menos tempestiva, nos arrependermos de coisas que falamos no calor da emoção. A palavra uma vez pronunciada ou escrita expõem as nossas emoções mais íntimas e, muitas vezes, não nos permite corrigir os rumos que lhe determinamos inicialmente. Na semana passada alguns exemplos desta situação vieram à tona na mídia. O bate-boca dos ministros do STF e a explanação inflamada do ex-ministro Ciro Gomes ao tomar a palavra na Câmara dos Deputados para falar sobre a farra das passagens. O ministro do STF, Joaquim Barbosa, arranhou a sua sempre elegante imagem, ao se envolver numa discussão emocionada com o presidente da casa, ministro Gilmar Mendes, e perdeu uma grande oportunidade de mostrar sua habitual inteligência e cultura. Nada que não possa recuperar mais adiante, num momento de maior lucidez e tranquilidade. Afinal, o ministro Barbosa não pretende, pelo menos no momento, ser candidato a nenhum cargo público. Não é o caso de Ciro Gomes. Sua revolta diante dos microfones da Câmara dos Deputados, expôs sua fragilidade numa argumentação desmedida e impactante diante da opinião pública ao pretender defender privilégios indefensáveis. Bater de frente com a atividade da imprensa e do Ministério Público e, ainda mais, utilizando-se de palavras de baixo calão, dedo em riste e demonstrando um semblante completamente desfigurado, trouxe sérios danos a sua imagem de homem público. Se, como mero deputado, age de forma completamente equivocada e autoritária, o que se pode esperar quando ocupar um cargo de mais expressão?
Provável candidato a cargos eletivos em 2010, uma postura completamente inadequada como a demostrada pelo nobre deputado, afeta diretamente sua pretensões políticas. Ciro terá de apagar parte da história, algo quase impossível de ser realizado, num curto período de tempo. Perdeu o rumo ao posicionar-se contra os anseios da sociedade em prol das benesses de uns poucos deputados preocupados apenas com o seu umbigo. Foi, de fato, um gol contra para a suas pretensões políticas de longo prazo. O deputado mostrou despreparo para lidar com a adversidade, e, deve estar tremendamente arrependido. Ciro Gomes jogou contra o patrimônio e agora terá de se dedicar muito mais se quiser reaver o respeito de seus eleitores. A palavra, instrumento essencial de um político, precisa ser usada com parcimônia e sabedoria, pois, caso contrário, provocará estragos enormes a sua carreira e fornecerá a um opositor atento um sem número de razões para desqualifica-lo. Que pena, Ciro perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo. Contato: autor@sucatinhas.com.br
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 15h24
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A culpa é da transparência
Fiz, faria novamente, e, farei sempre que precisar. É desta forma que alguns parlamentares estão se manifestando no noticiário sobre o uso da sua cota mensal de passagens para bancar viagens de parentes, amigos, atores, amantes e outros personagens. A farra é explícita e com direito de confissão em tom de afronta ao povo, à ética e aos valores morais. Falta pouquíssimo para que a transparência seja indicada como a grande vilã e a maior culpada pelos escândalos do Senado Federal e da Câmara dos Deputados que estão vindo ao conhecimento da sociedade nos últimos dias. A disponibilização das contas do legislativo ainda promete muito acerca deste mundo obscurantista das mordomias parlamentares. E o povo o que pode esperar de políticos que não sabem pedir desculpas, que não sabem reconhecer os seus erros? Os políticos não temem o julgamento do povo, políticos tem coragem e cara-de-pau. Generalizemos para que aqueles que se sentirem injustiçados pelas ações dos colegas – e por estas palavras - tomem a iniciativa imediata de mudar as regras do jogo, ajustando, de forma tempestiva, as normas e regras da casa que lhes abriga. Afinal, a transparência está aí, e, de agora em diante, vai ser assim: o povo e, principalmente a mídia, irão fiscalizar com mais clareza todos os passos de seus representantes. Com isso, as práticas inaceitáveis irão vir à tona e serão combatidas a ferro e fogo até que se aprumem em patamares de coerência. Mas, o que mais incomoda o cidadão, não é a ação em si, mas, a impunidade e, neste caso das passagens, as justificativas apresentadas pelos próprios políticos à sociedade. A situação é tão escandalosa que não se pode chamar estes parlamentares de infratores. Afinal, para aqueles políticos que não se norteiam pela ética e pelo bom senso, não há pena a ser aplicada, eles não estão infringindo nenhuma lei, nenhuma norma. As regras para o uso das verbas de passagem, que eles mesmo deveriam criar, obviamente, não existem. É maquiavélico este tipo de comportamento político que tem como valor essencial a predisposição para proporcionar possíveis falcatruas, para facilitar suas próprias ações no futuro. Isso sim, incomoda. A premeditação, a estratégia de utilizar o obscurantismo em benefício próprio e em detrimento dos benefícios da sociedade. É a farra e a maldade implícita, que se acoberta na ausência de regras, que molesta e importuna o povo brasileiro. As mordomias parlamentares só sobrevivem nas trevas e na escuridão e tem na transparência e na luz, sua principal inimiga, por isso, acreditamos estarem com os seus dias contados. Somos fiscais otimistas nessa luta em busca da “iluminação” das contas públicas.
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 16h28
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Os mini e os elefantes
A Índia é o país do momento, esta na moda. Avançados na área de desenvolvimento de software, com equipe na Fórmula 1, com um cinema forte que abocanhou recentemente oito Oscar em Hollywood, com alguns bilionários no ranking da Forbes em 2009, os indianos e suas tradições estão em evidência. Entretanto, o que se vê na TV é apenas uma faceta da realidade. A Índia, assim como outros países, também possui suas mazelas; é um país onde predomina a pobreza, tem altos índices de mortalidade infantil, é o segundo país mais populoso do mundo – só perde para a China – onde os níveis de analfabetismo é auto e a má nutrição é um problema grave. Então, não podemos nos iludir com o que é mostrado na TV. Mas, vale a pena nos ater a um fato menos grave, mas muito curioso: o trânsito na Índia. Quem assiste a novela das oito, Caminho das Índias, da Globo, deve achar também que o transito na Índia e um problema e fica imaginando como os indianos conseguem sobreviver a tamanha balbúrdia. Nele, elefantes se misturam às vacas, motocicletas trafegam lado a lado com jaburus, triciclos pisoteiam pedestres e espalham galinhas e bujão de gás e, o mais impressionante, ninguém para nas esquinas. A imagem é caótica e só não é catastrófica porque ninguém consegue fluir com velocidade em um espaço tão apertado. Na novela, o que se vê em algumas cenas são, na realidade, um complexo trabalho de estúdio, uma cidade cenográfica perfeita, onde os transeuntes são meros figurantes. Mas, há flashes de cenas reais filmadas na Índia. No entanto, esta situação bisonha do transito indiano parece não incomodar aos próprios indianos. Eles parecem conviver bem com um ir e vir em todas as direções em espaço reduzido e, principalmente, com a poluição sonora ensurdecedora das buzinas de seus veículos. Se caos semelhante vir a se estabelecer por aqui – e não estamos muito longe disso – diferentemente dos indianos, vamos todos precisar dirigir de armaduras. Mas, entendemos que está balbúrdia tem o seu lado bom e pode ser um prenúncio de bons negócios no futuro e, principalmente, pode trazer inovações interessantes com uso de energia limpa.
A falta de espaço e a superpopulação levará a Índia a optar pelos mini carros – assim com já fazem a Alemanha, com o seu Smart Fortwo da Mercedez e a Grã Bretanha com os Mini Cooper – os indianos terão que, obrigatoriamente, investir na miniaturização de forma mais intensa, por isso que ninguém se surpreenda se no futuro a Índia vier a dominar este segmento do mercado automobilístico. Afinal, o meio em que vivem exigirá dos indianos a busca de alternativas mais práticas e econômicas para sua locomoção urbana. O agravante na Índia esta relacionado ao cuidado especial do motorista para não se chocar de frente com um elefante, ou atropelar uma vaca sagrada com um mini de lata macia. Enquanto isso, aqui no Brasil, ainda é moda motores potentes com 12 e até 24 válvulas, impulsionando pequenos caminhões. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo Contato: autor@sucatinhas.com.br POA - RS
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 16h49
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O Senado em xeque
Dentre os 81 senadores da república, se uma dúzia deles fizessem uma leitura correta e agissem coerentemente com a vontade geral, eles se reuniriam e proporiam a aplicação de um plebiscito perguntando à sociedade brasileira se ela é contra ou a favor da extinção da casa que lhes abriga. O momento é muito oportuno para esta consulta face aos escândalos que assolam aquela instituição. Novas denúncias chegam ao conhecimento da população e são de todas as ordens. Gastos exorbitantes com horas extras, gratificações, reembolsos médicos e hospitalares estratosféricos, falta de transparência, gente ganhando sem trabalhar, estrutura funcional inchada e outras mazelas do tipo. Ao contrário do que muitos pensam a extinção do Senado Federal não põem em risco a democracia. O Senado é uma instituição supérflua e muitos países, de essência democrática, já se aperceberam disso. A existência de instituições lentas, burocráticas e corruptas são muito mais prejudicial ao processo democrático do que a ausência destas mesmas instituições. É o caso do Senado Federal. Os entraves de todas as ordens impostos pelos senadores à aprovação das leis e as imposições de emendas de caráter partidaristas e eleitoreiros só desfavorecem o bom andamento da democracia e se transformam em barreiras quase intransponíveis para o funcionamento de um processo democrático que precisa se ajustar à velocidade e às premências que exigem o mundo atual. Constitui um risco maior a democracia ver um senador consumir 33,8 milhões anuais dos recursos públicos em atividades não produtivas e, algumas delas, ilícitas e de interesse puramente particular – exatamente o oposto da democracia - sem agregar nenhum valor efetivo para a sociedade. O povo já não suporta mais as denúncias de falcatruas e as negociatas capazes de ressuscitar políticos e políticas já consideradas extintas da vida pública brasileira. E, por isso, deveria a sociedade ser consultada sobre a validade e o valor desta instituição. Mas, é utópico este sonho do plebiscito, afinal, encontrar no Senado uma dúzia de políticos preocupados com os reais interesses da sociedade é esperar demais. A cobra não costuma morder seu próprio rabo. E, assim, as “cobras” continuam por lá, dando o bote no nosso dinheiro. O “paraíso é aqui”, disse um funcionário do Senado numa entrevista a uma revista de grande circulação. Uma afronta. O problema é que os eleitos a tais benesses, não passaram pelo crivo da justiça divina e, muito menos, detém o mérito para usufruírem tamanha benevolência as dispensas da sociedade. Se os senadores e os funcionários ganhassem conforme sua produtividade, ainda assim, suas atribuições seriam questionáveis. Deveriam, pelo menos, ter coragem de perguntar à sociedade sobre sua utilidade para a democracia no Brasil. Uma verdadeira “farra” com toda a carga pejorativa que abriga esta palavra.
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 09h48
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A lógica papal
Esta semana, na França, um grupo de pessoas em protesto distribuiu pelas ruas de Paris preservativos estampados com a foto do papa Bento XVI. A imagem do artefato circulou o mundo na grande rede. Sem duvida, trata-se de uma provocação ao Vaticano. Na embalagem da “camisinha” o sumo pontífice aparece com as duas mãos para cima, em direção aos céus, vestindo seu manto papal. A estampa num fundo branco tem como título a frase I SAID NO! (eu disse não) e, naturalmente, é um protesto dirigido ao discurso do sumo pontífice realizado recentemente em sua visita ao continente africano. Bento XVI, que iniciou sua viagem à África pela República de Camarões, afirmou, ainda a bordo do avião em que viajava, que não se podia resolver o problema da Aids com a distribuição de preservativos e que, ao contrário, sua utilização agravaria o problema. 
Não é novidade para ninguém que o Vaticano se opõe a todas as formas de contracepção diferentes da abstinência e reprova o uso do preservativo, mesmo nos casos de prevenção de doenças. Parece-nos óbvio que esta postura da igreja romana, em pleno Séc. XXI cause espanto e seja causa de protesto, principalmente, na França, mas, para o papa não é tão óbvio assim. Entretanto, não se pode negar que a lógica papal está correta. Vejamos: Sexo é procriação, os preservativos são contraceptivos, logo, inibem a procriação, então, o uso do preservativo precisa ser banido do seio da sociedade. O encadeamento lógico está correto, se as premissas secundárias decorrentes da premissa maior – e divina - “crescei e multiplicai” são verdadeiras ou falsas isso é outra questão. A mesma lógica papal também condena os indivíduos infectados à abstinência, ou a terem relações somente entre membros do seu grupo de infectados. Pois, segundo a mesma lógica, o uso da camisinha é proibido mesmo aos indivíduos infectados, logo, os indivíduos infectados estão condenados à abstinência ou a transarem entre si e proliferarem o contágio por meio da procriação. A lógica romana é cruel.  Talvez seja mais produtivo para os católicos apostólicos romanos e para o próprio Vaticano, minimizar o valor da lógica no seu quadro de valores e adotar uma prática doutrinária embasada em valores mais amorosos. Priorizar o “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” em detrimento do “crescei e multiplicai-vos”, talvez seja um bom começo.
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 11h50
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As operações e a lógica do escapismo

Toda operação faz uso de um método, seja ele explícito ou não. Deve possuir um objetivo claro e seus resultados – mesmo os parciais – necessitam ser monitorados e controlados. As operações, especialmente aquelas não-continuadas, têm fases, ou seja, partem de uma proposta inicial, também chamada de escopo preliminar, passam pelas ações de planejamento, são monitoradas na sua execução e por fim são encerradas. As operações, geralmente, possuem um padrinho ou patrocinador, um gestor e uma equipe capacitada capaz de executar as medidas e gerir os recursos considerados necessário para atingir seus objetivos. As operações, assim como os projetos, têm nomes próprios cujo objetivo é, na maioria das vezes, centrar o foco e diferenciá-la das demais. Os nomes também indicam seu caráter temporário e facilitam a canalização dos recursos de todo tipo, tais como: os humanos, os financeiros, de infra-estrutura, de comunicações e outros. Tomemos como exemplo uma operação cirúrgica, elas possuem um CID (Código Internacional de Doenças) que as identificam. Nela encontramos, o padrinho – alguém que paga a conta -, temos a equipe médica, o método, o paciente – que em alguns casos nem sempre é tratado como cliente – temos os equipamentos cirúrgicos e toda a infra-estrutura hospitalar, além, é claro, do objetivo, que pode ser extrair uma catarata, apendicite e tantos outros. Operações têm um rumo e podem ser variadas, algumas são simples, outras complexas, mas, todas têm algo em comum: um cronograma. Operações podem estar associadas a outras ou não, têm riscos que precisam ser gerenciados e, em alguns casos, até mesmo antecipados. Mas, o sucesso mesmo de uma operação está, sem duvida, no seu planejamento e na garantia dos recursos necessários para levá-la a cabo. Um padrinho forte é fator importante para a garantia dos recursos, seja na iniciativa pública, seja na iniciativa privada. O padrinho é, em qualquer instância, co-responsável pela operação, pelas ações que ela comporta e por seus resultados. Uma operação complexa geralmente envolve um grupo grande de pessoas, algumas com ética, outras nem tanto, mas, ainda assim, cabe examinar a adequação e a legalidade de uma operação já no seu objetivo. Ele é definido lá atrás, no início, na concessão dos recursos e na homologação dada pelo padrinho ao plano apresentado. Este objetivo não pode ser obscuro. Um outro parâmetro importante é saber se as ações reais de uma operação – que muitas vezes estão bem distantes da planejada - corroboram ou atropelam a lei. Assim evita-se a aplicação da lógica do escapismo que utiliza a desqualificação do acusador, como nos casos de operações investigativas, em prol do acusado. Em ações deste tipo, os fins não podem justificar os meios, ou seja, por mais atraente e verdadeiro que seja o resultado da operação ela acaba não atingindo os seus objetivos se foi conduzida de forma inadequada e deixou uma brecha qualquer para um bom advogado.
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 16h11
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