As operações e a lógica do escapismo

Toda operação faz uso de um método, seja ele explícito ou não. Deve possuir um objetivo claro e seus resultados – mesmo os parciais – necessitam ser monitorados e controlados. As operações, especialmente aquelas não-continuadas, têm fases, ou seja, partem de uma proposta inicial, também chamada de escopo preliminar, passam pelas ações de planejamento, são monitoradas na sua execução e por fim são encerradas. As operações, geralmente, possuem um padrinho ou patrocinador, um gestor e uma equipe capacitada capaz de executar as medidas e gerir os recursos considerados necessário para atingir seus objetivos. As operações, assim como os projetos, têm nomes próprios cujo objetivo é, na maioria das vezes, centrar o foco e diferenciá-la das demais. Os nomes também indicam seu caráter temporário e facilitam a canalização dos recursos de todo tipo, tais como: os humanos, os financeiros, de infra-estrutura, de comunicações e outros. Tomemos como exemplo uma operação cirúrgica, elas possuem um CID (Código Internacional de Doenças) que as identificam. Nela encontramos, o padrinho – alguém que paga a conta -, temos a equipe médica, o método, o paciente – que em alguns casos nem sempre é tratado como cliente – temos os equipamentos cirúrgicos e toda a infra-estrutura hospitalar, além, é claro, do objetivo, que pode ser extrair uma catarata, apendicite e tantos outros. Operações têm um rumo e podem ser variadas, algumas são simples, outras complexas, mas, todas têm algo em comum: um cronograma. Operações podem estar associadas a outras ou não, têm riscos que precisam ser gerenciados e, em alguns casos, até mesmo antecipados. Mas, o sucesso mesmo de uma operação está, sem duvida, no seu planejamento e na garantia dos recursos necessários para levá-la a cabo. Um padrinho forte é fator importante para a garantia dos recursos, seja na iniciativa pública, seja na iniciativa privada. O padrinho é, em qualquer instância, co-responsável pela operação, pelas ações que ela comporta e por seus resultados. Uma operação complexa geralmente envolve um grupo grande de pessoas, algumas com ética, outras nem tanto, mas, ainda assim, cabe examinar a adequação e a legalidade de uma operação já no seu objetivo. Ele é definido lá atrás, no início, na concessão dos recursos e na homologação dada pelo padrinho ao plano apresentado. Este objetivo não pode ser obscuro. Um outro parâmetro importante é saber se as ações reais de uma operação – que muitas vezes estão bem distantes da planejada - corroboram ou atropelam a lei. Assim evita-se a aplicação da lógica do escapismo que utiliza a desqualificação do acusador, como nos casos de operações investigativas, em prol do acusado. Em ações deste tipo, os fins não podem justificar os meios, ou seja, por mais atraente e verdadeiro que seja o resultado da operação ela acaba não atingindo os seus objetivos se foi conduzida de forma inadequada e deixou uma brecha qualquer para um bom advogado.
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 16h11
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