O Senado em xeque
Dentre os 81 senadores da república, se uma dúzia deles fizessem uma leitura correta e agissem coerentemente com a vontade geral, eles se reuniriam e proporiam a aplicação de um plebiscito perguntando à sociedade brasileira se ela é contra ou a favor da extinção da casa que lhes abriga. O momento é muito oportuno para esta consulta face aos escândalos que assolam aquela instituição. Novas denúncias chegam ao conhecimento da população e são de todas as ordens. Gastos exorbitantes com horas extras, gratificações, reembolsos médicos e hospitalares estratosféricos, falta de transparência, gente ganhando sem trabalhar, estrutura funcional inchada e outras mazelas do tipo. Ao contrário do que muitos pensam a extinção do Senado Federal não põem em risco a democracia. O Senado é uma instituição supérflua e muitos países, de essência democrática, já se aperceberam disso. A existência de instituições lentas, burocráticas e corruptas são muito mais prejudicial ao processo democrático do que a ausência destas mesmas instituições. É o caso do Senado Federal. Os entraves de todas as ordens impostos pelos senadores à aprovação das leis e as imposições de emendas de caráter partidaristas e eleitoreiros só desfavorecem o bom andamento da democracia e se transformam em barreiras quase intransponíveis para o funcionamento de um processo democrático que precisa se ajustar à velocidade e às premências que exigem o mundo atual. Constitui um risco maior a democracia ver um senador consumir 33,8 milhões anuais dos recursos públicos em atividades não produtivas e, algumas delas, ilícitas e de interesse puramente particular – exatamente o oposto da democracia - sem agregar nenhum valor efetivo para a sociedade. O povo já não suporta mais as denúncias de falcatruas e as negociatas capazes de ressuscitar políticos e políticas já consideradas extintas da vida pública brasileira. E, por isso, deveria a sociedade ser consultada sobre a validade e o valor desta instituição. Mas, é utópico este sonho do plebiscito, afinal, encontrar no Senado uma dúzia de políticos preocupados com os reais interesses da sociedade é esperar demais. A cobra não costuma morder seu próprio rabo. E, assim, as “cobras” continuam por lá, dando o bote no nosso dinheiro. O “paraíso é aqui”, disse um funcionário do Senado numa entrevista a uma revista de grande circulação. Uma afronta. O problema é que os eleitos a tais benesses, não passaram pelo crivo da justiça divina e, muito menos, detém o mérito para usufruírem tamanha benevolência as dispensas da sociedade. Se os senadores e os funcionários ganhassem conforme sua produtividade, ainda assim, suas atribuições seriam questionáveis. Deveriam, pelo menos, ter coragem de perguntar à sociedade sobre sua utilidade para a democracia no Brasil. Uma verdadeira “farra” com toda a carga pejorativa que abriga esta palavra.
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 09h48
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