A culpa é da transparência
Fiz, faria novamente, e, farei sempre que precisar. É desta forma que alguns parlamentares estão se manifestando no noticiário sobre o uso da sua cota mensal de passagens para bancar viagens de parentes, amigos, atores, amantes e outros personagens. A farra é explícita e com direito de confissão em tom de afronta ao povo, à ética e aos valores morais. Falta pouquíssimo para que a transparência seja indicada como a grande vilã e a maior culpada pelos escândalos do Senado Federal e da Câmara dos Deputados que estão vindo ao conhecimento da sociedade nos últimos dias. A disponibilização das contas do legislativo ainda promete muito acerca deste mundo obscurantista das mordomias parlamentares. E o povo o que pode esperar de políticos que não sabem pedir desculpas, que não sabem reconhecer os seus erros? Os políticos não temem o julgamento do povo, políticos tem coragem e cara-de-pau. Generalizemos para que aqueles que se sentirem injustiçados pelas ações dos colegas – e por estas palavras - tomem a iniciativa imediata de mudar as regras do jogo, ajustando, de forma tempestiva, as normas e regras da casa que lhes abriga. Afinal, a transparência está aí, e, de agora em diante, vai ser assim: o povo e, principalmente a mídia, irão fiscalizar com mais clareza todos os passos de seus representantes. Com isso, as práticas inaceitáveis irão vir à tona e serão combatidas a ferro e fogo até que se aprumem em patamares de coerência. Mas, o que mais incomoda o cidadão, não é a ação em si, mas, a impunidade e, neste caso das passagens, as justificativas apresentadas pelos próprios políticos à sociedade. A situação é tão escandalosa que não se pode chamar estes parlamentares de infratores. Afinal, para aqueles políticos que não se norteiam pela ética e pelo bom senso, não há pena a ser aplicada, eles não estão infringindo nenhuma lei, nenhuma norma. As regras para o uso das verbas de passagem, que eles mesmo deveriam criar, obviamente, não existem. É maquiavélico este tipo de comportamento político que tem como valor essencial a predisposição para proporcionar possíveis falcatruas, para facilitar suas próprias ações no futuro. Isso sim, incomoda. A premeditação, a estratégia de utilizar o obscurantismo em benefício próprio e em detrimento dos benefícios da sociedade. É a farra e a maldade implícita, que se acoberta na ausência de regras, que molesta e importuna o povo brasileiro. As mordomias parlamentares só sobrevivem nas trevas e na escuridão e tem na transparência e na luz, sua principal inimiga, por isso, acreditamos estarem com os seus dias contados. Somos fiscais otimistas nessa luta em busca da “iluminação” das contas públicas.
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 16h28
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