Blog da Philoterapia


Produção Científica e ENEM

Os números e os fatos, não deixam dúvidas: o Brasil é um país de contrastes. Segundo os dados publicados no National Science Indicators, o Brasil teve um crescimento de 56% na produção científica em 2008. O crescimento proporcionou ao país deixar para trás a Rússia e a Holanda, no quesito de produção e publicação de artigos científicos. Saímos dos 19.436 artigos em 2007 para 30.451, em 2008, sem dúvida um crescimento significativo. Entretanto, vejam as “pérolas” encontradas nas redações do ENEM, que é um exame nacional aplicado junto aos alunos do ensino médio, publicadas recentemente no noticiário. Elas expõem o paradoxo da produção do conhecimento no Brasil.

O tema que os alunos deveriam dissertar na redação era sobre ecologia. A preocupação maior, relatada por um deles, para o desequilíbrio ecológico é, obviamente, o rompimento da “camada Diozoni”. Tem razão o rapaz, inclusive, um outro colega de prova, seu concorrente no exame, sustentou a tese, ao alegar que: “na época de Cristo não haviam as hindustrias para poluir” e, mesmo assim, “háviam problemas sociais entre os povos”. Então a culpa não é, definitivamente, das “hindustrias” o fato da “camada Diozoni” apresentar rompimento nos dias atuais e, principalmente, não é a industria responsável pelo reboliço social que se instalou sobre o assunto. Ao contrário, diz outro, o que deve ter prejudicado de fato o meio-ambiente foi mesmo “o desmatamento dos peixes na floresta Amazonas”, não se pode esquecer disso, lembrou outro aluno. E as pérolas, brotam como capim, na mente de alguns deles.

“Nos dias de hoje a educação está muito precose” os bebês já nascem dentro das salas de aula, segundo este aluno, e seus professores, provavelmente, ainda são adolescentes. Mas, não tem problema, basta demonstrar que somos pessoas “semelhantes iguais” e que o fato, de bebês já nascerem em salas de aula, não implica dizer não vão conseguir atingir os seus “obstáculos”. De fato, atingir obstáculos é uma tarefa árdua e que, provavelmente, nos exigirá uma excelente pontaria. Mas, “a conscientização é um fato esperançoso para o território mundial”, por isso, é importante “deixarmos de sermos egoístas e pensar um pouco mais em nós”. Não tem outra solução, “uma vez que o serumano no mesmo tempo que constrói também destói, pois nois temos que nos unir para realizar parcerias”. Sem esta união, o que é de “interesse de todos nem sempre interessa a ninguém”. Tem razão, afinal, “hoje endia a natureza não é mais aquela”, desde que foi “discuberta pelos homens a 500 anos atrás”, muita coisa se modificou. É importante que as pessoas se conscientizem de que “não basta preservar apenas o meio ambiente, mas sim todo ele”.

Está dado o recado, “o fenômeno Euninho” deve estar por trás de tudo, embaralhando as ideias de parte de nossa juventude. Tomara que este fenômeno não atinja a qualidade dos artigos científicos publicados e nos “faça agir de maneira inesperável”, aqui no “paiz enque vivemos” onde os “problemas cerrevelam”. Oh! Deus.



Sérgio Peixoto Mendes, filósofo.

contato; autor@sucatinhas.com.br

POA- RS



Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 14h34
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Como encontrar o ponto de equilíbrio?

EsportistaNa correriaNa correria

Na visão do poeta italiano Giacomo Leopardi (1789-1837) o tédio está reservado às almas nobres; a multidão pode, na melhor das hipóteses, sofrer de simples ociosidade. Mas, nos parece, que já vai longe o dia em que se tinha - mesmo fazendo parte da multidão - o privilégio de se sentir um pouco os efeitos calmante da ociosidade. Tédio então, nem pensar. A internet, a TV, e outros entretenimentos afastou de vez o tédio e as suas benéficas reflexões. Hoje é comum o seu oposto, ou seja, a ansiedade, a correria, a busca incessante dos bens materiais, do bem-estar, em suma, a luta frenética pela felicidade. A ociosidade virou perda de tempo, e tempo é dinheiro, logo a ociosidade é sinônimo de perda financeira. Ora, como ficar parado vendo a banda passar, enquanto o mundo, e o seu vizinho, gira louca e desenfreadamente em busca do poder aquisitivo? Talvez, a afirmação acima do poeta já não faça mesmo mais sentido, principalmente, se olharmos por um ângulo mais abrangente. O ângulo da competição. O mundo desandou para a necessidade insaciável de pertencer, de ter.

O foco na felicidade, paradoxalmente, nos compele cada vez mais ao trabalho. É o trabalho que aplaca um pouco as nossas necessidades, mas, uma vez satisfeitos, geramos novas ocupações para fugirmos do tédio e, novamente, nos pomos em busca da saciedade. Assim, saciar constantemente as necessidades parece-nos ser a força motriz atual. Mas, isso cansa e tem seus efeitos maléficos. Não nos bastaria um pouco de alegria? Parece-nos que sim. Entretanto, pesquisas genéticas recentes ligadas ao comportamento humano, estão concluindo que o elemento responsável pelo transporte da serotonina – neurotransmissor associado a sensações de bem-estar, alegria e felicidade – está condicionado a maneira como cada um de nós processa as informações positivas e negativas. Assim, sermos mais ou menos felizes, vai depender de sermos mais ou menos otimistas e pessimistas, características que já devem estar na nossa bagagem genética.

Então, como olhar para um mundo em plena crise econômica, sob a ameaça pandêmica da gripe suína e da febre amarela e, ainda assim, ser capaz de se manter otimista o suficiente para dar vazão a sensação de bem-estar e alegria? Tarefa difícil. Talvez seja por isso que só os ignorantes são felizes e os sábios não se cansam de repetir, que a piedade sem ação não resolve a dor alheia e, a auto-piedade é um buraco sem fundo.


Entretanto, direcionar o foco do nosso olhar para as coisas boas da vida, para as notícias positivas, é uma tarefa simples, basta para isso que sejamos seletivos nas nossas escolhas, que canalizemos nossos sentimentos, que sejamos criteriosos nas nossas leituras, nas nossas diversões, e, principalmente, que se aplique um reforço ao pensamento otimista que vez por outra nos habita à mente nos raros momentos de ociosidade.

 

Sérgio Peixoto Mendes, filósofo.

Contato: autor@sucatinhas.com.br

 

POA - RS



Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 16h37
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