Blog da Philoterapia


Um brado, CHEGA!

 

O Príncipe Regente D. Pedro estava de “cabeça quente” quando, às margens do Ipiranga, bradou em alto e bom tom o seu “independência ou morte”. Foi um grito proferido diante de uma comitiva que se encarregou de registrá-lo para sempre na trajetória histórica da independência do Brasil. A emancipação política desse nosso país do reino de Portugal, ocorreu a partir de um clamor, ou seja, a partir da palavra inflada pela emoção e pela convicção. Sob o efeito de uma emoção forte, o homem costumeiramente se abraça com a verdade. As emoções não mentem, não enganam, são impactantes e desnudam aquilo que de mais íntimo o homem procura esconder com o raciocínio trabalhado pela mente, quase sempre, de maneira perversa e matreira. O homem acuado, geralmente, costuma, apelar para a verdade e diz coisas que mais tarde, no frescor da reflexão, não terá mais como recolher. Todos os políticos deveriam falar com emoção, não uma emoção forjada pelo treinamento na hábil arte de falar, e argumentar, mas, uma emoção natural, pura e verdadeira, pois, esse tipo de emoção, não pactua com a mentira.

O rubor, para um observador atento, pode facilmente pôr em contradição aquilo que é dito com aquilo que realmente é. Por trás do rubor há uma emoção, um sentimento, que denuncia aquele que se manifesta. Mas, o rubor não funciona para “cara-de-paus”, por isso os políticos costumam enganar facilmente. Suas verdadeiras intenções, muito habilmente velada nos seus discursos são, geralmente, escusas. No discurso, o político disfarça os seus interesses privados e os converte em anseios públicos. Discursos são estratagemas, são engôdos, que o ingênuo compra à primeira vista.

Mas, o mundo dá voltas, e é chegado o tempo em que não mais agiremos como ovelhas tocadas pelo pastor rumo ao desfiladeiro do arrependimento. Nas próximas eleições vamos dar as respostas certas, para àqueles que pensam que somos babacas estúpidos, que não temos memória, e que nos deixaremos facilmente enganar por discursos vazios de emoções verdadeiras.

Um grito, um brado de emoção, CHEGA!, seja as margens de que rio for, poremos para correr boa parte dos falsos discursos, recheados de má intenção, mostrando o preço da opinião pública.

 

 

Sérgio Peixoto Mendes, filósofo.

Contato: autor@sucatinhas.com.br



Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 14h36
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