Blog da Philoterapia


Politicagem, um mal social


É significativo entender as forças que movem o mundo. E elas são, basicamente, de dois tipos: a vontade humana e a vontade da natureza. Deixemos esta segunda de lado e vamos nos ater a primeira, a força do homem. O homem, este animal político, segundo Aristóteles, pode ser movido por forças intrínsecas ou extrínsecas, ou seja, por uma vontade interior ou por uma necessidade do meio em que ele vive. Obviamente, o homem tem preferência por agir conforme sua vontade interior e, por isso mesmo, menospreza, na maioria das vezes, as necessidades do meio. Este é o ponto chave do regime democrático representativo, onde, elege-se alguns poucos para defender o interesse da maioria. Esta criado assim o dilema interior do político. Esquecer ou, por de lado, o interesse da maioria em detrimento aos interesses pessoais, é o erro grave, mas, muito comum na política. Assim, se lixar para opinião pública é prova cabal de que o político não entendeu o seu papel primordial como voz de um segmento da sociedade a que representa.

Atualmente o político brasileiro, por exemplo, faz quase nada de política – que na democracia significa representar o interesse do povo - mas, faz muito de politiquice, que significa priorizar o interesse daqueles que lhe rodeiam, ou, pior ainda, defender os interesses exclusivos daqueles que lhes financiaram a campanha. São raros os parlamentares que não são politiqueiros, que fogem de uma política ordinária e mesquinha. A maioria deles, seja no alto ou no baixo clero, na Câmara ou no Senado Federal, buscam pelo sucesso, pela fama, e, acima de tudo, correm atrás do saciamento de suas próprias tendências e inclinações narcisistas e de suas necessidades pessoais. O político brasileiro chega na casa que lhe abriga completamente comprometido – alguns endividados – e estabelecem como meta prioritária atender os interesses de seu credor. A campanha com recursos públicos seria uma forma de amenizar esta situação e já está em discussão no Congresso.


Mas, além disso, o político tem uma compulsão pelo reconhecimento público que se transforma na força propulsora maior capaz de lhe embotar as ideias e de faze-lo abolir o bom senso. Sem o bom senso as metas prioritárias deixam de ser a vontade da coletividade que representa. Como político modesto não entra em evidência é imperioso que ele acabe deixando de lato também a modéstia. Logo, não há como atender o interesse da maioria sem a posse do bom-senso e da modéstia. Assim, as necessidades extrínsecas fundem-se aos interesses internos imediatos e levam o barco da representatividade ao naufrágio e o político a corrupção.

Pensar numa forma de fazer valer o interesse da coletividade passa, necessariamente, pela a conscientização do eleitor que não pode se deixar corromper pelas benesses oferecidas em campanha em troca do voto e pelo acompanhamento e controle dos resultados de cada um dos representantes, assim, fiscalizar as ações e a produção dos políticos deveria ser palavra de ordem para os eleitores. Nesse aspecto, a transparência é fundamental e será bem- vinda.


Sérgio Peixoto Mendes, filósofo

contato: autor@sucatinhas.com.br

 



Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 11h26
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Nós também roubamos

Abismado Na correria

A Câmara dos Comuns, equivalente, na Inglaterra, à Câmara dos Deputados aqui no Brasil, confirmou esta semana o que já vinhamos comentando a algum tempo em artigos anteriores: a política corrompe e independe do lugar. Seja lá, seja aqui, representar o interesse da coletividade não é a prioridade para homens de espírito fraco e ética titubeante. Basta uma pequena fenda, uma tropeço inicial, e os interesses individuais assumem o comando das ações. Os escândalos do parlamento inglês, que vieram à tona no noticiário esta semana, são muito parecidos com aqueles que nós brasileiros já estamos acostumados a ver por aqui. O uso indevido dos recursos públicos em prol do interesse pessoal, ou seja, o roubo do erário público, constitui, na essência, a bandalheira e a gatunagem que impulsionam as ações dos corruptos. O dinheiro enfeitiça políticos cambaleantes – e alguns não políticos também - e, aqui no Brasil, isso é assumido como uma praga tão forte que parece ser comum e normal não punir os parlamentares que se deixam envolver por ela. Coitados! Foram todos vítimas da tentação e do desejo pela vida fácil. Errar é humano, ser tentado e ceder também, é assim que pensam o rol de privilegiados que cedem, costumeiramente, à oferta das forças vaidade e do senso de oportunismo proporcionado por um cargo público.

“Eu vou me adiantar enquanto posso” é a regra geral, seja na Inglaterra, seja no Brasil. “Vou aproveitar que os riscos são baixos e que a punição é branda”, pensam outros em outras partes do mundo. Os verbos são muito semelhantes: “aproveitar”, “adiantar”, “tirar vantagem” e são sempre conjugados conforme os interesses e oportunidades da ora. Alguns políticos só sabem pensar na “primeira pessoa”, não conseguem conjugar um verbo mais altruísta, não lhe passam pela mente o “nós”, o “eles”, e agora também uma variação menos singular do “to be”. Mas, existem diferenças básicas de lá para cá: o parlamentar inglês, na maioria das vezes, adota a prática de auto-punição quando é pego com a boca na botija. Costumeiramente, sabe que comprometeu para sempre o seu futuro político. No Brasil não, aqui o pressuposto básico é o da falta de memória dos eleitores, da possibilidade da reeleição infinita, basta para isso que, ali mais adiante, faça a partilha com meia-duzia de eleitores e cabos eleitorais igualmente corruptos, do fruto da sua apropriação indébita.

Eleitor que se deixa corromper também rouba. Rouba da democracia as parcas oportunidades que ela tem de dar certo.



Sérgio Peixoto Mendes, filósofo.

Contato: autor@sucatinhas.com.br

POA - RS



Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 11h17
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