A crise do Senado é minha 
Ao contrário do que pensa o excelentíssimo ex-presidente da República, José Sarney, que diz que a crise do Senado não é dele – e ele é o presidente da casa – afirmo que a crise do Senado é minha. Num regime de democracia representativa onde as casas que compõem o nosso legislativo, seja em que âmbito for, abrigam os porta-vozes da vontade da maioria - ao qual pertencemos todos nós que abrimos mão da nossa vontade individual – volto a afirmar: sou responsável pelo Senado Federal e sua crise me pertence. Se está instituição está povoada por gente inapta para desempenhar seu papel, a crise, igualmente, ainda me pertence. Como cidadão e eleitor, fui eu quem os colocou lá. Como contribuinte sou eu que os sustento e, se roubam, roubam de mim. Se não são punidos, foi porque lhes concedi privilégios e disso não posso reclamar. Sabe como me chamo? Me chamo POVO e estou alheio a minha própria vontade. A crise de uma instituição democrática não pertence exclusivamente aos parlamentares que a compõem e, neste ponto, somente nele, o Sarney tem razão. Punir os maus parlamentares não deve mesmo ser atribuição exclusiva do presidente da casa ou de seus iguais na comissão de ética. Qualquer punição advinda destes segmentos seria paliativa e, geralmente, não ocorre. É de responsabilidade do povo a verdadeira punição. E ela deve ocorrer nas urnas, nas prévias, nos plebiscitos ou por intermédio de outros instrumentos democráticos. Mas, se estão se lixando para nós e não temem as respostas das urnas, então temos um problema e precisamos urgentemente lutar por uma reforma mais abrangente. Lutar por mudanças que façam a vontade da maioria prevalecer sobre os interesses individuais, e, especialmente, não permitir a facilidade aos eleitos de darem de ombros e alegarem que os problemas e as crises nas instituições políticas não lhes pertencem. Políticos esquecem coisas básicas, como por exemplo: que são eles também eleitores, que as instituições que lhes abrigam também lhes pertencem, que são povo como o povo e que suas criações, ou seja, suas leis também lhes afetarão. Que a casa que lhes abriga deve ser limpa e arejada e que debaixo do tapete – ou seria atos secretos? - deve existir apenas o alicerce fortalecido por ações que possam lhes orgulhar. Mas, infelizmente, falta-lhes o próprio orgulho de assumir o que lhes pertence. Por isso, repito, a crise do Senado Federal é minha. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo contato: autor@sucatinhas.com.br
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 16h26
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