Cartão amarelo para o povo Vai longe o tempo em que a tribuna do Senado Federal era um espaço de honra e, frequentemente, ocupado por oradores experientes e políticos de excelência que, a partir de suas convicções, ajudaram a construir a história da democracia neste país. Hoje, falta aos ocupantes deste lugar reservado e elevado, a lógica da argumentação, a clareza dos ideais e, sobretudo, o bom senso e a postura condizente com a importância deste espaço da democracia. Temas banais, de cunho partidário, cujos pilares encontram-se centrados nos interesses políticos e, especialmente, fundamentados no pleito eleitoral de 2010, tomaram de vez o lugar das discussões dos interesses do povo e do país. Como se não bastasse, parte da mídia pega carona nesta banalidade e transforma em machete as representações medíocres de políticos canastrões, concedendo-lhes os holofotes que não merecem. Assim, na tribuna, vê-se apenas teatralização de quinta categoria enquanto, na plateia, forma-se a fila de outros palhaços – sem intenção de ofender os artistas da arte de fazer rir - que aguardam sua vez de representar. A casa, hoje, é um local de festa para os sofistas sem formação. A verdade, essa pobre e rejeitada que já foi objeto de busca na política grega, deixou, a muito, de ser a preocupação basilar dos atuais parlamentares e suas respectivas tropas. Tropas? Sim, tropas e tropas, panelas e panelas, se formam no recinto num espetáculo decadente que acaba por embotar o raciocínio individualizado, incentivando o pensamento de manada e eleitoreiro. Esta semana, foi a vez de Eduardo Suplicy, que se colocou na condição de árbitro e aplicou um cartão vermelho para o presidente da casa. Se dizendo representante da vontade do povo, o senador petista, solicitou, de forma inusitada e galhofeira, a renúncia de Sarney da presidência da casa. Também manifestou seu descontentamento com o arquivamento sumário das representações frutos de um Conselho de Ética, que, fazendo uso de suas atribuições vazias de sentido, as arquivou sumariamente a partir de uma decisão política. O fato é que Suplicy arrumou confusão com os próprios correligionários, com os aliados e adversários, ou seja, desagradou a todos pela teatralização praticada em lugar impróprio, apesar das causas, aparentemente justas, que levaram-no até a tribuna. O Senado Federal, se transformou numa verdadeira sessão pastelão e a tribuna num lugar maculado pela incompetência dos políticos que nós mesmos colocamos lá. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo contato: autor@sucatinhas.com.br
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 15h13
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