Whitney tirou os pijamas O fundo do poço pode ser o fim, mas, geralmente, não o é. Submerso na dor, engolido e tragado pela ruína, o sujeito, uma vez nele, não tem como ir mais para baixo. Então, eis que surge um lampejo de esperança, uma luz no alto e a recuperação começa a se tornar possível. Uma vez no fundo do poço o único caminho que resta é o da emersão, o despontamento para uma nova chance e uma nova vida. Entretanto, é importante reconhecer os fundos falsos, que são aquelas situações em que um estágio intermediário é confundido com o final da linha. Nesta condição a descida ainda é possível e a esperança pode se transformar em desilusão. O poço não está fora, é um buraco interior por isso é difícil concentrar forças, uma vez que todo o esforço deverá ser, especialmente, individual. Eis um caso de superação. Depois do sucesso estrondoso como protagonista do filme “O Guarda-Costa”, com o também reconhecido ator Kevin Costner, a atriz e também cantora Whitney Houston, mergulhou fundo nas drogas e chegou aos subterrâneos da mente. A dependência química tirou parcialmente o brilho de uma das estrelas mais premiadas do pop que chegou a passar sete meses de pijamas, sem sair de casa e sem trocar de roupa, segundo suas próprias declarações recentes. Um período fatídico mas que não lhe tirou de vez o brio dos grandes artistas. Seus mais de quatrocentos prêmios não deixam dúvidas de seu talento. Na sua melhor fase abocanhou nada menos do que sete discos de platina e de forma consecutiva e está no Livro Guinness dos Records como a cantora mais premiada da história. Dona de uma voz belíssima que sustentou a bela trilha sonora do filme de Mick Jackson, a cantora foi do ápice as profundezas num mergulho rápido e profundo que quase esfacelou a sua carreira. Mas, apesar do tormento e para a sorte de seus fãs, Whitney se manteve íntegra no talento e na capacidade de interpretação e teve força para dar um exemplo de superação. Passado o período das trevas, a cantora retorna às paradas norte-americanas, depois de sete anos sem nada produzir e já ocupa as primeiras posições, também na Alemanha, Suíça e Itália. Sem dúvida, uma redenção e um resgate para quem já trilhou os labirintos tortuosos das drogas. A vida é uma sucessão de altos e baixo onde o fundo do poço coexiste com o nascer do Sol. Entretanto, e necessário direcionar corretamente o foco, pois nas nossas escolhas pode estar a saída para todo tipo de dificuldade. Whitney soube olhar para o alto, tirou os pijamas e voltou para a luta, sem dúvida um exemplo para os desesperados. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo. Contato: autor@sucatinhas.com.br
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 17h12
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|