Querem encontrar obtusos também na mídia? É pouco inteligente o político que se indispõem com a imprensa, pois está fadado a fracassar na sua carreira. Com base em raciocínio obtuso e sem nenhum outro argumento senão a estratégia do ataque como prática de defesa, alguns políticos acreditam que podem sobreviver desprezando os órgãos de comunicação e seu importante papel de informar. Pensam que podem enganar todo mundo o tempo todo, inclusive a mídia, e apresentam o embate entre a imprensa e as instituições representativas como forma de despiste para seus desvios e desmandos. A luta, afirmam, é pelo direito de representar o interesse do povo. Uma disputa por um espaço privilegiado, sem dúvida, mas que, neste caso, não passa de uma nuvem de fumaça cujo objetivo maior é tapar o sol com a peneira e desviar a essência do problema, que é a corrupção, para uma discussão politico-social vinculado ao direito legítimo da representatividade. A mídia tem o papel relevante de abrir os olhos das massas e isso nenhum político de bom senso pode negar. A relação político e mídia, quando não é harmoniosa, o primeiro geralmente leva a pior. Não que a mídia o vá perseguir ou se vingar, pois para isso ela precisará de motivos, mas pelo simples fato de que sem um veículo de comunicação abrangente que possa revelar os feitos de um político, ele não terá boa imagem junto aos seus eleitores. Ou será que alguém acredita que as massas leem diários oficiais, assistem a TV Senado, e são assíduos ouvintes da Hora do Brasil e de outros órgãos oficiais de informação? Sabe-se que na prática não funciona assim e, habitualmente, consome-se aquilo que nos chega em tempo real, de maneira fácil e, de preferência, já esmiuçado por um comentário especializado. Com uma linguagem inteligível e de fácil compreensão a imprensa presta este serviço de decodificação, transformando, muitas vezes, o complexo no simples, facilitando, assim, o acesso completo aos acontecimentos. Mas, neste ponto cabe um alerta, os grandes veículos de comunicação, em geral, não trabalham apenas com fatos, com notícias, eles são formadores de opinião e o político inteligente sabe disso. Grandes jornais, revistas, canais de TV, empregam articulistas, críticos, possuem seus espaços para o leitor e dão muito valor à gente de senso crítico aguçado. Portanto, o político que arruma problemas com gente desta qualificação, está marcando gol contra e vai, por certo, se dar muito mal. Entretanto, o ouvinte, o leitor, o telespectador também não pode abrir mão da sua capacidade de depuração, pois caso contrário, estará fadado a consumir lixo ao invés de informação, ideologia ao invés de conhecimento. Buscar entender as diferenças entre a opinião e o fato é atribuição de todos e o ponto essencial da discussão. É um trabalho ardiloso, pois a opinião detém também a capacidade de criar fatos e virar notícia, portanto, toda atenção é necessária. Não é por acaso que democracia e imprensa livre precisam caminhar juntas, sem um lado o outro não sobre-existe. Sem os veículos de manifestação de massa, sem a mídia, escrita, televisionada, ou falada, como diagnosticar se um governo é democrático? Quando ele nos cortar na carne? Aí será tarde demais. Político que litiga com a imprensa é político despótico, ainda que se esconda numa aura de democracia. Os exemplos negativos já rodeiam o nosso país, abramo os olhos. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo. Contato: autor@sucatinhas.com.br
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 14h14
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