Blog da Philoterapia


 

Pressão?

 

Gosto de temas polêmicos. Eles, geralmente, geram uma rivalidade, as vezes sadia, outras vezes nem tanto, mas valem a pena pela reflexão que provocam. Outro dia ouvi uma estória: Numa cidadezinha do interior, um senhor já de meia idade, se apaixonou pela jovem mais bonita da região. Como a jovem não lhe dava atenção, ele resolveu optar por fazer greve de fome na frente da casa dela, e disse-lhe – Só sairei daqui vivo se casares comigo. A jovem se sentiu intimidada e amedrontada. Aos poucos as pessoas da cidadezinha foram percebendo o que estava acontecendo e começaram a apelar para que a jovem desse uma chance aquele pobre homem. Afinal, ele estava ali, pacificamente, expondo seu amor por ela. Mas, não era interesse da jovem desposar aquele senhor, mesmo porque nada sentia por ele, foi então que resolveu procurar ajuda e foi consultar um mestre numa cabana distante da cidade. Lá chegando, contou o episódio ao mestre e lhe pediu um conselho. O mestre lhe disse então: - Vá ao prostíbulo da cidade e contrate por alguns trocados a mulher mais feia, a mais desengonçada, e a mais velha mulher que encontrar lá. Solicite a ela que leve um colchão e deite-se ao lado do homem que está em frente a sua casa e lhe diga que só sairá dali se ele se casar com ela. Dizem que durante a noite o homem aproveitou o escurinho pegou o seu colchão e sumiu para nunca mais aparecer.

Esta semana precisei pegar um taxi no centro da cidade, como não tinha dinheiro suficiente na carteira, procurei um caixa eletrônico do banco que tenho conta numa agência próxima e, surpresa! A agência estava trancafiada e o caixa eletrônico estava bloqueado, provavelmente, sem dinheiro disponível para os correntistas. Faixas e cartazes anunciavam a greve daquela classe trabalhadora. Resumindo, fiquei a pé e chateado, afinal, o que fizeram com o meu direito de restituir do banco o dinheiro que me pertence? O que nós como cidadãos e correntistas temos a ver com a briga entre os banqueiros e os bancários? Por que toda a sociedade tem que pagar o preço de uma briga particular, muita vezes restrita aos interesses abusivos de algumas classes minoritárias? Uma revolta natural de quem precisa usar um serviço básico e não o tem. Tá certo, consta na constituição que o trabalhador tem direito à greve, mas, e nós? Não temos o direito a restituir o nosso dinheiro, aquilo que nos pertence, e esta preso numa instituição bancária? Nem a uma ação contingencial que possa amenizar o nosso problema? Outros cidadãos correntistas, todos revoltados, também encontravam-se diante da agência reivindicando os seus direitos. Havia inclusive uma senhora, que precisava pegar um transporte coletivo e não tinha dinheiro para faze-lo e, ônibus, como se sabe, não aceitam cartões de crédito ou de débito. Outro queria comprar um pequeno artefato numa tenda de camelô e também não estava conseguindo. Um outro rapaz, queria pagar um boleto bancário e já calculava os juros pela perda da data do vencimento.

Pensei na estória que contei acima, e, sinceramente, fiquei com vontade de reunir os correntistas revoltados fazer uma corrente e não deixar os bancários grevistas e os banqueiros radicais, saírem do prédio e rumarem para suas residencias, pagando pressão com pressão, chantagem com chantagem. Preservar os direitos de alguns não é justo, debitar a conta da já tão combalida sociedade, também não. Como me fez falta uma cabana e um sábio, fui embora a pé.

 

 

Sérgio Peixoto Mendes, filósofo.

Contato: autor@sucatinhas.com.br

 



Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 12h08
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Novas jogadas, agora na política

EsportistaEsportistaNa correriaNa correria

O que leva um ex-jogador de futebol a optar pela carreira política? São exemplos recentes: o ex-atacante Romário que se filiou ao PSB do Rio e o também ex-atacante Edmundo que se filiou ao PP do Rio. Ambos ex-jogadores da seleção brasileira. Existem outros casos, como o de Túlio Maravilha, que consegue conciliar as duas atividades, ou seja, jogar futebol profissionalmente e ser vereador em Goiânia. Provavelmente, não vai nem jogar futebol nem legislar com excelência. Romário quer assumir compromisso com as crianças faveladas do Rio e Edmundo ainda não deixou claro sua plataforma política. Nos parece, inicialmente, que as pessoas habituadas com a evidência na mídia, sentem um certo desconforto em se afastar dela. Cair no esquecimento é o principal trauma a ser administrado por aqueles que, em algum momento da vida, fizeram sucesso na sua área profissional ou pessoal e se tornaram pessoas públicas e famosas. Não superar ou suportar este tipo de trauma pode ser fatal para a saúde e se transformar em graves patologias, inclusive, levar à depressão. Por isso é importante buscarem uma saída e a política é um caminho.

A reflexão básica é, e agora? Como vou me manter em evidência? Como posso conformar uma nova carreira a partir da fama que adquiri no meu passado? É então que a carreira política se apresenta como uma opção natural. A fama conquista votos, ainda que ela tenha sido adquirida em uma outra atividade completamente distinta da política, afinal não foi isso que aconteceu de forma bem-sucedida com o ator Schwarzenegger ao transferir sua fama nas telas para as urnas e se eleger como Governador da Califórnia pelo partido Republicano? Não se tem o resultado final ainda, no caso dos jogadores acima, mas é bem provável que as pessoas votem em Romário e Edmundo, com a esperança de que eles repitam suas grandes jogadas também no mundo político. É assim que funciona, para alguns apaixonados torcedores que no momento de exercer o seu papel de eleitor, votam no seu time do coração. Obviamente, estarão confiando que os grandes atacantes continuarão lutando por gols na área adversária. Neste aspecto, a política pode significar aos ex-atacantes uma garantia de se manterem na mídia, mas, é uma faca de dois gumes, pois pode pôr por terra uma bela carreira construídas dentro das quatro linhas. .

A maior fatia de eleitores de Romário e Edmundo, parece estar na torcida vascaína, ambos foram ídolos no clube cruzmaltino. E suas esperanças é de que os ex-atacantes possam utilizar o excelente campo de manobra da política para fazerem suas “jogadas”. Neste aspecto, futebol e política combinam, pois ambos os setores são campos de luta. O time adversário será representado pela oposição as opções políticas dos partidos ao qual de filiaram Romário e Edmundo, resta saber se marcarão algum gol para dar alegria aos seus eleitores e se a marcação será leal.

 

Sérgio Peixoto Mendes, filosofo

contato: autor@sucatinhas.com.br



Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 14h14
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