Blog da Philoterapia


Esta é uma obra de ficção

 

Sua imagem fotográfica nunca fica tão boa quanto aquela que você vê nas revistas, nos jornais e na internet? Não se preocupe, não perca a sua auto-estima por isto, você não é tão feio quanto parece, nem tão gordo, provavelmente, sua referência é uma obra de ficção. Pessoas lindíssimas, corpos exuberantes, pele macia de bebê, tons de peles maravilhosos, sem estrias, silhueta perfeita, são, na maioria das vezes, obra de designes, produto de computador. Photoshopar é a arte de ajustar e corrigir pequenos defeitos, na cor, na luminosidade e outros componentes de uma fotografia digital, mas, também pode ser muito mais. A edição, para alguns casos, é pura manipulação da imagem, faz parte do trabalho profissional do fotógrafo e sua equipe de engenheiros da 3D. Hoje compõem o kit deste profissional – com raras exceções – programas completos de editor de imagem que dão ao trabalho sua arte final.

Ajustar, trabalhar um outro matiz, aperfeiçoar, fundir imagens, é um trabalho que exige criatividade e talento, por isso também é arte. Então qual é o problema? O problema é que estas alterações digitais não são do conhecimento do público não especializado, do mero apreciador, e isso confunde a ficção com a realidade. A imagem fotográfica ao perder sua fidelidade e originalidade passa a ser uma ilustração, material de manipulação e de especulação. Assim, um belo rosto, um belo corpo, pode passar a ser objeto de anseio inalcançável e, por isso mesmo, motivo de frustração, ansiedade, depressão, anorexia, bulimia e outras doenças somatizadas a partir da privação e da ditadura da magreza. Estudos estão sendo conduzidos neste rumo, principalmente na Inglaterra e na França, e já apresentam resultados que comprovam que o photoshop pode estar associado aos transtornos alimentares, principalmente entre os adolescentes.

Na área da estética os padrões apresentados atualmente, com raras exceções, são mera ilusão e, por isso mesmo, doentio. Tenha certeza, a beleza padrão capa de revista, só pode ser alcançada na ficção, a realidade é um pouco mais dura, porém mais saudável. Por isso, o parlamento francês discute atualmente mudanças na legislação com o objetivo de disciplinar o uso do photoshop. A ideia inicial é fazer constar junto aos trabalhos alterados por este programa um aviso de que se trata de uma obra de ficção, como já acontece na literatura hoje em dia. Talvez assim, a imagem ficcionista, faça o papel inverso, ou seja, o de entreter ao invés de deprimir.

Outro dia conversei com uma pessoa que confessou não se reconhecer na foto após um trabalho minucioso de photoshop. Ela sentiu-se estranha a si mesma. Novos tempos.

 

Autor: Sérgio Peixoto Mendes, filósofo

Contato: autor@sucatinhas.com.br



Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 10h50
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Vamos dar o troco Rindo a toa

 

                Chover no molhado empoça e quando a água é demais, alaga, mas, não dá para deixar de falar mesmo que nos tornemos repetitivos.  Os políticos são meu tema predileto e tem chovido demais na horta deles, por isso estão se afogando rapidamente no lamaçal da corrupção e na inércia e ineficácia da própria atividade que exercem ou deveriam exercer. Mas as coisas mudaram nos últimos tempos e o acompanhamento e a fiscalização se intensificaram a partir de uma internet mais iterativa. O olho vivo da imprensa e a participação maciça dos internautas por intermédio de uma web mais próxima do usuário-leitor nos têm mostrado isso.  Os sites, os blogs, os portais e outros aplicativos da Web 2.0 agregaram, definitivamente, a opinião, seja ela especializada ou não, ao seu dia a dia, e a repulsa se tornou imediata quando um ato político não condiz com os anseios da sociedade.

                O usuário da internet passou a exercer também o papel de gestor de conteúdo por isso esse meio de comunicação e expressão se tornou tão importante a ponto de se transformar em objeto central de discussão como veiculo de propaganda eleitoral para as eleições de 2010. A crítica e a manifestação imediata por meio de pesquisas relâmpagos têm deixado muitos políticos e governantes de cabelo em pé.  Eles têm sido cobrados mais intensamente e em tempo real. E a regra atualmente é: fez aqui e a crítica aparece logo ali.  A ação é contígua, fez, tem que assumir. Se a informação flui rapidamente igualmente veloz é a reação. Também ficou mais difícil estender o manto da omissão nos assuntos que são de interesse de todos.

                O povo está conectado e a lupa é enorme e distribuída.  A opinião pública passou a ter um canal de expressão "como nunca houve antes neste país".  Portanto, aumentou a visibilidade e, conseqüentemente, diminuíram os obscuros meandros que envolviam os atos espúrios dos maus intencionados. Optar pela carreira política hoje é sinônimo de exposição total. As reeleições, como as já anunciadas pela maioria dos senadores, por exemplo, serão mais complicadas, apesar da curta memória do povo. O que veio a tona na mídia sobre o Senado Federal nos últimos meses vai pesar na balança de muita gente. O eleitor há de se lembrar na ora de votar, do mensalão, das viagens turísticas à custa do erário, das inúmeras diretorias do Senado, dos excelentíssimos senadores membros do Conselho de Ética que engavetaram as denúncias contra o Sarney, dos atos secretos da casa, enfim, de um conjunto de falcatruas que ocuparam os principais canais de comunicação nos últimos tempos.

                Sim, ta chegando a hora de dar o troco a essa gente vil que tanto nos deixou irado este ano. É necessário riscar alguns nomes do mapa da vida pública brasileira. O Congresso precisa, urgentemente, ser oxigenado. Novas idéias, novos políticos, intenções respaldadas por ações, e atitudes condizentes com a ética e o bom senso, podem trazer nova vida à democracia.  Caso contrário, sabe-se lá do que podemos sentir saudades.

Sérgio Peixoto Mendes, filósofo

Contato: autor@sucatinhas.com.br



Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 10h27
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