It is this? No último dia 28 estreou no Brasil - o filme foi o mais visto no fim de semana - o documentário com imagens de arquivo e cenas dos ensaios de Michael Jackson em Los Angeles e em Inglewood, para a série de shows que faria ainda este ano em Londres. This is it, o filme, traz algumas entrevistas com amigos e colaboradores de Michael, bastidores de uma produção cuidadosa e repetida a exaustão, o que acaba se concretizando numa oportunidade a mais para entrar na intimidade do artista. O documentário, para os fãs do cantor, é uma despedida passageira e mais uma forma de eternizar o artista. Michel, inconfundivelmente, e de forma surpreendente e mágica, funde-se e confunde-se com sua arte. Maestro do belo, levou a coincidência dos movimentos à perfeição e, praticamente só, idealizou e concretizou as melhores fusões de sons e imagens da era moderna. Michel escrevia filmes e cantava imagens num ritmo próprio, este era seu dom maior. Sempre bem assessorado por uma equipe de ponta composta por engenheiros hábeis para utilizar e operar o que existia de mais tecnológico no mundo do som e da imagem, seus shows se transformaram em delírio explícito sob a batuta performática e agitada pelo títere maior: Michael Jackson. Sim, o astro do pop movia-se como um marionete suspenso no ar. Os barbantes invisíveis do talento sustentavam a leveza, o sincronismo e a velocidade de seus movimentos provocaram exaltações e entusiasmos no mundo todo. O público consumia-o – como o ar que se respira – em seus shows e videoclipes. Michel era fluído, frágil, o que não diminuía o seu grau de exigência para consigo mesmo, seu perfeccionismo, juntamente com as exigências de sua agenda, devoraram-o muito rapidamente. Michel foi a exaustão e adoeceu por sua arte. Entretanto, seu legado ao mundo ainda tem muito a ser explorado. Sua técnica, seus movimentos, sua capacidade ilusionista, marcou gerações. Ainda lembro do dia em que entrei numa loja de eletro-domésticos e comprei o meu primeiro aparelho três em um, em 12 prestações, por causa de uma música de Michel Jackson. Billie jean, tocava cinco vezes por dia nas rádios, mas, para mim não era suficiente, precisava ouvi-la com mais qualidade e mais vezes por dia, por isso, não resisti e num impulso de fã comprei o aparelho de som. Me endividei por causa do Michael. Billie jean se constituiu na trilha sonora de muitas paixões da mesma forma que foi um marco na história do surgimento dos videoclipes. This is it, faz chorar, faz “cair a ficha” e não será a último evento que explorará o talento de Michael Jackson. Seus trejeitos e loucuras ainda renderão muitas emoções podendo, inclusive, retirar as cinzas construídas por tabloides e despejadas a exaustão na vida do rei do pop mas que, felizmente, não conseguiram lhe apagar a chama. Sérgio Peixoto Mendes, filósofo Contato: autor@sucatinhas.com.br
Escrito por Sérgio P. Mendes (Tell) às 11h08
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